Solo

NORMAS DE COLETA DE SOLO

1\. INTRODUÇÃO

A seguir orientações quanto a coleta de amostras de solo, para envio a laboratório de análises de solo, com o objetivo de investigar possíveis efeitos provocados pelo aparecimento de agroglifos nas lavouras do Brasil.

As orientações a seguir, seguem as recomendações das normas técnicas nacionais vigentes no Brasil, ABNT NBR 9306 – Sondagem a trado – Procedimento e ABNT NBR 9820 – Coleta de amostras indeformadas de solo de baixa consistência.

Também foram utilizadas informações da publicação da FUNDACEP – Manejo e Fertilidade do solo no sistema de plantio direto, modelo de plantio, já amplamente adotado, principalmente na região sul do Brasil, foco até agora do aparecimento dessas figuras nas plantações, popularmente conhecidas como agroglifos. Orientações da EMBRAPA – MEIO AMBIENTE, através do MANUAL DE PROCEDIMENTO DE COLETA DE AMOSTRAS EM ÁREAS AGRÍCOLAS PARA ANÁLISE DA QUALIDADE AMBIENTAL: Solo, Água e Sedimentos, também foram adotadas nesse protocolo.

As recomendações foram divididas em 3 tipos específicos de obtenção de informações em amostras de solo: Informações Químicas, Informações Físicas e Informações Biológicas.

2\. INFORMAÇÕES QUÍMICAS DO SOLO

2.1 COLETAS DE AMOSTRAS DE SOLO PARA ANÁLISES QUÍMICAS

Por tratar-se de acontecimento que abrange apenas uma fração da área total de cultivo, as recomendações a seguir foram adaptadas, com o objetivo de apenas obter informações do local da ocorrência do agroglifo. A seguir orientações a serem observadas na chegada ao local e durante a coleta.

1. Observar a presença de curiosos: Importante verificar no momento da chegada ao local a quantidade de curiosos e evitar coletar o solo, dos locais com concentração das pessoas dentro do agroglifo, para evitar a contaminação de solo presente nos calçados.

2. Utilizar luvas, para manuseios dos equipamentos e do solo a ser coletado.

3. Utilizar recipientes esterilizados, novos e limpos para evitar contaminação da subamostra.

4. Fazer o croqui da figura. Indispensável começar com o croqui, pois o mesmo possibilitará o planejamento da coleta das amostras de solo, ou plantas para posterior análise.

5. Número de subamostras: Importante coletar o maior número de subamostras de solo, para posteriormente compor a amostra única que será remetida ao laboratório. As subamostras devem ser divididas em dentro e fora do agroglifo. Cada uma compõe uma amostra total que será remetida para a análise laboratorial.

6. Evitar coletar amostras em locais atípicos, dentro e fora do agroglifo: Locais atípicos dentro do agroglifo, são locais onde ocorreu concentração de pessoas, provocando o pisoteamento das plantas acamadas, o que pode contaminar a amostra, ou com solo dos calçados ou mesmo com o esmagamento de massa vegetal que aos poucos libera água e nutrientes no solo. Locais atípicos para coleta de amostras testemunhas, fora do agroglifo, são as bordaduras das lavouras. Nesses locais, geralmente o produtor usa para regulagem de máquinas e implementos, o que torna o solo compacto e com alta concentração de nutrientes, devido a excessiva dosificação de fertilizantes nesses locais. Recomendamos que as amostras testemunhas de solo (fora do agroglifo), seja coletada há no máximo 100 metros do centro da figura, e no mínimo 50 metros.

7. Pontos de amostragem dentro do agroglifo: Procedimento a ser definido, após a conclusão do croqui e após a observação visual do estado das plantas dentro do agroglifo. Evitar coletar solo dentro de manchas que podem ser identificadas como locais com excesso de metais pesados como Al (Alumínio) e Mn (Manganês). Geralmente nesses locais as plantas são menores e apresentam clorose nas folhas. Ao identificar a presença de manchas com excesso desses metais, coletar separadamente e compor mais uma amostra de solo dentro do agroglifo.

8. Realizar o registro fotográfico, durante o processo de coleta do solo e realizar o registro fotográfico dos pontos de coleta, com informações como, numeração e posicionamento no croqui.

Imagem do documento (mock)

Fonte: ABNT

Imagem do documento (mock)

Fonte: FUNDACEP/2007

2.3 COLETA DE SOLO – FORMA DE COLETA

Imagem do documento (mock)

Fonte: COMISSÃO,2004

3\. INFORMAÇÕES FÍSICAS DO SOLO

As informações sobre a física do solo, tem por objetivo verificar algum tipo de modificação na estrutura do solo, bem como observar a presença de partículas ou corpos estranhos que possam surgir dentro do agroglifo. Abaixo algumas considerações sobre a forma de coleta dessas amostras.

1. As amostras para análises físicas do solo, devem compor um grupo diferente e a parte das amostras para análises químicas do solo.

2. Utilizar luvas, para manuseio dos equipamentos e do solo a ser coletado.

3. A forma e equipamentos necessários para a realização desse procedimento podem ser encontrados em norma técnica nacional vigente ABNT NBR 9820 – Utilizar sempre a última versão da norma.

4. Para cada amostra de solo para análise física, coletar o que se denomina testemunha fora da formação do agroglifo, que será a testemunha e servirá para comparação. Evitar coletar essa amostra nas bordaduras das lavouras, podendo ser adotado como limite de distância do centro geométrico da figura de 100 a 70 metros de raio.

5. Anotar número e posição dos pontos de amostragem no croqui do agroglifo.

6. Realizar o registro fotográfico da coleta de solo, e se for necessário abrir trincheira no local para a coleta da amostra indeformável, registrar em foto as características das camadas de solo, dentro e fora do agroglifo.

4\. INFORMAÇÕES BIOLÓGICAS DO SOLO

Segundo o manual da EMBRPA \-Meio Ambiente, os fatores bióticos e abióticos, são preponderantes nos resultados de análises microbiológicas nas amostras de solo. Por isso, com o objetivo de evitar erros nas coletas, e de suma importância que os pesquisados saibam, reconhecer conforme o aspecto das plantas, acamadas em pé, a presença de manchas de solo com metais pesados como Al e Mn, procedendo assim a marcação do local, e realizando a coleta das subamostras de forma separada, uma vez que esses locais, costumam apresentar baixa atividade biológica de uma forma em geral.

Análises para identificação da presença de microrganismos possuem diferenças, em relação as análises para contabilização da qualidade química do solo. Microrganismos são sensíveis a variações ambientais como pH do solo, concentração de sais no solo, representada pelo acúmulo de adubos tipo NPK, umidade, que em uma lavoura varia conforme o horário da coleta, e densidade do solo, nesse caso, relativo à porosidade do solo, por esse motivo insistimos em evitar coletar solo em locais onde ocorreu alta concentração de curiosos no agroglifo. As seguir apresentamos alguns procedimentos necessários para a integridade das amostras que serão encaminhadas para as análises biológicas do solo:

1. Utilizar luvas, durante o manuseio dos equipamentos e das amostras de solo.

2. Definir os pontos de coleta de solo para análises biológicas após a conclusão do croqui, apontando os pontos de coleta.

3. Evitar locais de acúmulo de curiosos e ou muito pisoteados dentro do agroglifo, evitar locais de concentração de manchas de solo (Al e Mn).

4. Coletar amostras separadas das amostras de solo para análises químicas e físicas.

5. Coletar uma amostra por ponto, não havendo a necessidade de coletar subamostras como no caso das amostras para análise química.

6. No momento da coleta, retirar a camada superior de palha e matéria orgânica grossa. Coletar no mínimo 10 cm de profundidade.

7. Evitar coletar amostras com solo seco.

8. Acondicionar a amostra em sacos plásticos, limpos e sem contaminação, fechar imediatamente após a coleta.

9. Encaminhar para laboratório, devidamente etiquetado em no máximo 72 horas. Se a coleta for feita pela manhã, deixar a amostra fechada em local com sombra arejado (temperatura ambiente).

10. Realizar o registro fotográfico do procedimento.

Anexo 02